Entrevista a Diabolical Mental State

Entrevista a Diabolical Mental State

Texto: Margarida Salgado

Fotos:Facebook

Nascidos em 2011 inicialmente como Dimensions onde desenvolveram os primeiros temas, nessa altura partem também para os palcos tugas onde espalham os seus primeiros momentos de estalada e metalada live...m/ 

Estão no Som do Rock em entrevista exclusiva.

SR: Como começaram os DMS?

Apache Neto: Os DMS começam em 2011. Na realidade foi o Diogo Matias, o Fernando e o Jonny Barbosa que começaram esta banda e depois como faltava um baixista, o Cangas que é um amigo em comum lembrou-se de mim e juntou-nos. Ouvi as malhas do Jonny e fiquei apaixonado. Muitas horas de ensaios no Nirvana Studios depois, muitas horas mesmo… (tínhamos lá uma boxe ) fizemos uma “ pseudo-maquete caseira” e tentámos marcar uns concertos. Demos um concerto ou dois e quando a coisa estava a ficar mais séria, o Diogo Matias e o guitarrista que estava na altura na guitarra rítmica de um momento para o outro decidiram abandonar o projeto, por motivos pessoais. Ficámos um bocado desorientados e tivemos de procurar uma solução. Nesta fase a banda ainda se chamava Dimensions. Para a guitarra foi fácil de resolver. Já conhecia o mano Isaac há bué anos, foi só dar uma apitadela e acho que ele nem pensou duas vezes, disse-me logo que sim. Apresentou um vídeo para se candidatar e testar a brincadeira e provou que merecia o lugar e ficou. A bateria estava mais difícil, “é o fim do mundo, é o fim do mundo, ninguém consegue tocar isto “dizíamos. Metemos uns anúncios e tal e ainda apareceu pessoal bacano e boa onda, mas ninguém conseguia estar na vibe que a gente queria. E de repente apareceu o Rafinha muito puto, caracolinhos, a começar ainda, com 19 aninhos… chegou lá ao Emídio, no Almada Studios onde ensaiávamos e o sacana tocou logo ali um tema dos mais difíceis e nós pensamos “o puto tem mesmo boa onda, quer aprender, não tem vícios, está a estudar música… é isto.” Aliás é o único músico da banda e o que continua até hoje a estudar. O Rafael acabou por salvar a banda, que é mesmo assim, foi a chave final que faltava e fizemos uma tour espetacular com cerca de 50 concertos.

Pedro Isaac Ribeiro: E agora passado 7 anos ver o que ele cresceu como músico e como pessoa e o que aprendemos com ele, o que ele nos ensinou… tem sido uma jornada brutal.

Rafael Santos: Eu vim estudar jazz para Lisboa e nunca tinha ouvido jazz.

Pedro Isaac Ribeiro: Vê lá tu o maluco.

Apache Neto: E eu que estudei jazz 3 anos e fugi. Eu queria era metal!

 

SR: Como passaram para Diabolical Mental State?

Apache Neto: Quando abandonaram o projeto, eu e o Jonny ficamos tão fodidos que entramos num estado mental diabólico, queríamos matar pessoas. E o Jonny lembrou-se e sugeriu Diabolical Mental State, que era uma cena muito forte, apesar de ter 3 nomes. Mas depois lembramo-nos, DMS, o pessoal abrevia a coisa e tal, começamos a entrar na onda e ficou. Era o estado de espírito.

 

SR: Depois lançaram o EP, Basic Social Control, fizeram a tour e entraram em hiato. O que é que aconteceu?

Pedro Isaac Ribeiro: Houve ali um processo de estagnação da parte de todos. Não estávamos a evoluir, não estávamos a criar música nova, não estávamos a trabalhar para que isto crescesse mais um bocadinho. E depois houve várias coisas que aconteceram. O acidente do Fernando custou-nos um bocado porque ele ficou mesmo mal e ele não conseguiu recuperar ou ficou com um estado de espírito… ele próprio pensava que não iria recuperar a 100% e via-se nele… ele ficou mesmo mal a todos os níveis, mesmo. E em seguida houve mais uma sucessão de eventos e stresses pessoais com todos nós e a banda parou. Até que chegou a um ponto em que falamos com o Fernando e perguntámos o que é que ele queria fazer, nós queríamos continuar.

Apache Neto: Foi quando houve a entrada dos novos membros. O Fernando sugeriu-nos um plano B e nós avançamos para o João Paulo Saraiva. Era amigo da banda e fã, já tinha atuado connosco e é amigo de infância do Rafa. DMS é uma banda em que não gostamos muito de trazer pessoal de fora à toa, isto é família.

Pedro Isaac Ribeiro: Isto foi para aí em Setembo, Outubro e em Dezembro o Jonny também optou por sair. Disse-nos que estava um bocado saturado do mundo da música e que tinha uns problemas pessoais.

Apache Neto: Ele e a guitarra estavam zangados, uma cena mesmo do Jonny, pessoal. Mas estamos todos bem. Há três músicas do álbum que ainda são da altura do Jonny e esta é a nossa forma de dizermos também que ninguém está zangado, são cenas pessoais que acontecem, é a vida. Seguiu outro caminho e está a tocar baixo numa banda que também é família.

 

SR: E apesar disso vocês continuaram a querer dar seguimento ao álbum novo?

Apache Neto: Aquela ambição. Já tínhamos trabalho feito para trás, tínhamos pessoas novas. O Saraiva quando começou a ensaiar com a gente trouxe uma vida nova logo à banda.

João Paulo Saraiva: Ele literalmente encostou-me logo à parede.

Apache Neto: Quem me conhece sabe que comigo é ou não é e a gente chegamos lá puxamos por ele e ele deu. E ele chegou lá e rebentou. Era mesmo que estávamos a precisar, um líder a puxar por nós. O Fernando era um dos melhores frontman da tuga, (e não é por ter sido de DMS) e ocupar o lugar do Fernando é muito difícil. Aquela atitude, aquela maneira de estar no palco, aquela energia, era inabalável.

João Paulo Saraiva: Era para isso que ele trabalhava. Ele queria dar tudo lá em cima.

Apache Neto: O Saraiva felizmente também veio nesse espírito e acredito que ainda vá dar um bocadinho mais. É mais novo, não tem ainda problemas graves na vida, não tem filhos… vai dar tudo. A gente vai apertar com ele para isso. E foi assim que ganhamos nova vida. O Jonny infelizmente já não teve oportunidade de trabalhar com ele, foi quando se deu o breakdown. E foi assim. Mas fomos sempre compondo e acabamos de compor o álbum assim, separados, mas juntos uns em Lisboa outros em Leiria. Ensaiamos de vez em quando. Umas vezes vamos nós a Leiria outras vêm eles cá. Isto não é para quem quer, não é para quem pode é para quem aguenta.

Pedro Isaac Ribeiro: E o Saraiva mostrou vontade de estar connosco e acima de tudo de trabalhar… que é algo comum nesta banda.

Apache Neto: E é uma mais valia.  Um dos objetivos deste álbum era darmos um passo em frente, abranger mais estilos. Nós somos metaleiros de raiz, de gema, mas não somos só metaleiros. O Rafael estuda jazz, o Saraiva também tem a banda de covers dele onde tocam outras coisas, eu e o Isaac temos outras influências de rock e decidimos explorar mais isto um bocadinho. Com todo o respeito pelos outros álbuns, não queríamos fazer “mais um álbum de thrash”.

João Paulo Saraiva: Aqui nesta banda nota-se mesmo na composição que não há uma etiqueta de ”isto é thrash ou isto é hardcore “, não, é apenas música boa que dá para curtir e a malta se divertir.

Apache Neto: E sem dúvida alguma que o novo vocalista ainda ajudou mais a que isso tudo acontecesse.

 

SR: Mas o álbum já estava pensado assim inicialmente?

Apache Neto: Sim, sim. O álbum começou a ser pensado ainda com o Fernando até. Hoje estamos a filmar o vídeo para o single do novo álbum e esta música é ainda do tempo do Jonny e do Fernando. E a penúltima vez que tocamos ao vivo tocamos este tema para testar. Não é com a mesma letra, aliás na altura a letra nem estava acabada, era uma “pseudo- letra”. Termos mudado de line-up, não foi nossa escolha, aconteceu. Este álbum acabou por ser composto por nós os seis. Letras, música, métricas, tudo. Há coisas do passado, há coisas misturadas com o passado e o presente e há coisas que são só do presente.

João Paulo Saraiva: Basicamente vai ser pau no cú deles.

 

SR: E consegue-se notar no álbum essa alteração do line-up?

Apache Neto: Notas e não notas. A primeira vez que ouves é capaz de te soar um bocado estranho porque cada tema sugere cenas diferentes, mas há sempre coisas em comum que é a sonoridade de DMS, o gingar de DMS, o groove de DMS, a atitude meio chunga e brincalhona de DMS. O primeiro EP foi todo pensado pelo Jonny em termos de riffs de guitarra. O Rafa e o Isaac quando entraram para a banda ajudaram a terminar o tema DMS Crew (agora Diabolical Crew) e já é um bocadinho diferente porque já é com eles. E agora volta a acontecer esse bocadinho novo, mas é DMS. Arriscámos um bocadinho mais. É um álbum thrash-metal- diabolical- mental- state.

João Paulo Saraiva: Quando temos um baterista a estudar jazz não é possível termos cenas “quadradonas”.

Apache Neto: A gente também gosta de cenas “quadradonas”, mas ritmicamente que é a minha cena e a do Rafael, nós gostamos de avacalhar um bocadinho. E este álbum também vai ter umas brincadeiras rítmicas à semelhança do outro.

Pedro Isaac Ribeiro: Este álbum tem mais cenas nossas também, mais pessoais. O EP baseava-se na critica social e tínhamos o tema Diabolical Crew que era a nossa história e uma homenagem aos fans. Este está fifty / fifty talvez.

 

 

SR: Que sonoridade se destaca mais do álbum?

Apache Neto: As guitarras. Aqui o mano Isaac fez um excelente trabalho. O EP tinha bons solos, mas contidos e nos sítios certos e no álbum decidimos dar tudo. E ele como ficou sozinho a gravar o disco teve de ser dois Isaac. Por um lado, ainda bem, porque eu conheço-o muito bem e sei que ele trabalha melhor debaixo de pressão e meti na cabeça que iria apertar mais com ele do que com qualquer um.

Pedro Isaac Ribeiro: Eu já trabalhei com bué pessoas e o Neto em termos de produção e ideias ele sabe o que te está a dizer. Ele não te diz as cenas só por pirraça. E isso é bom para um gajo como eu que tem milhões de ideias na minha cabeça e ritmos. E depois também com as ideias do Rafa que participou bastante.

Apache Neto: E a voz do Saraiva, sem desprimor ao Fernando, tem uma cena mais versátil e tens coisas que ouves no novo trabalho que ficas na dúvida dos dois, mas depois acrescenta o lado dele e exploramos uns bocadinhos quase cantados em algumas músicas. Uns bocadinhos, não é emocore, não vendemos a alma ao Diabo. Este álbum tem mais guitarras, mais exploração de voz, o Rafael aqui também participou mais e tecnicamente tem mais brincadeiras. Tem uma intro especial de guitarra e tem um bónus track que tem de se comprar o disco e ouvir e que desafio a ouvir porque está uma maluqueira. Temos o amigo Moreira a fazer magia num baixo de seis cordas. Também temos os coros, que chamamos um pessoal amigo para mandar uns berros. Este álbum no fundo é de todos.

 

 

SR: Entre músicas também vão surgir aquelas “dicas” como no EP?

Apache Neto: Sim, sim. Pelo menos 3 temas. Alias o tema que estamos a gravar o vídeo, que é o Home Invasion, que fala da media e das redes sociais e aquelas cenas todas com que as bandas e as pessoas são bombardeadas e nós quisemos brincar um bocadinho com isso. E no meio do tema ele manda uma dica, uma critica aos media e aos políticos, a critica social.

 

 

SR: Como correu a gravação do vídeo para o single?

João Paulo Saraiva: Ontem correu comigo a deitar-me à 1:30h com uma grande cabeçada. Mas foi excelente porque o tempo estava bom e fizemos as cenas lá fora e bué pessoal aderiu à cena e a família, foi um dia top e hoje igual.

Pedro Isaac Ribeiro: Para mim foram dois dias muitos especiais porque houve uma altura em que pensava se isto iria ou não iria para a frente e o vídeo foi o culminar. Sempre tivemos bué ideias e esta foi para a frente e ficou espetacular. Não só pelas pessoas que aderiram de quem gostamos e que gostam de nós, pelo momento que se viveu e por esta ideia arrojada aqui do Neto que é brutal. Ele quando me falou nisto há 3 meses fiquei parado a olhar para ele.

Apache Neto: Eu tenho tipo visões. Acho que é a parte do Apache, do índio.

João Paulo Saraiva: Tipo o Neto hoje a sair da casa de banho de roupão com uma toalha na cabeça a vir ter connosco “tive agora uma ideia para o vídeo…”. todos a olhar para ele e a dizer “não é má ideia” e foi uma das cenas em que acabei por entrar e fui logo preparar o cenário. Foi tomar banho e teve uma ideia daquelas.

Apache Neto: Eu sou músico há 22 anos e nunca tinha feito um videoclip. Eu trabalhei com Dr. Salazar quase 15 anos, ajudei a fundar a banda e nos 15 minutos em que saí fizeram um vídeo em que não entrei. Já tinha feito tudo menos gravar um vídeo. E tanto o Vinny que gravou e completou a minha visão maluca e as minhas ideias, o Patrício e a Lara que são os personagens principais foram excelentes. Recomendo a toda a gente. Às 9h da manhã eu já estava a levantar-me com a obsessão da banda, mas o Vinny também já estava a mandar mensagem com um excerto do que poderia ser o vídeo com o que tinha sido filmado no primeiro dia. Mas obviamente que se não fossem as pessoas eu seria apenas um índio maluco com uma visão. O Rafael completa as minhas ideias, o Isaac suporta as minhas ideias e o Saraiva manda as minhas ideias para a frente. DMS machine. E agora o Gonçalo Assunção, o novo guitarrista que não pode estar presente por motivos pessoais, mas que já está na banda e entrou a 100%, já está a participar e já gravou o videoclip connosco e que é mesmo 5 estrelas. Tivemos dezenas de respostas à procura de guitarrista, mas depois dos vídeos todos tivemos de reduzir a coisa e houve 3 ou 4 pessoas que se destacaram e o Gonçalo destacou-se mesmo logo. Vimos o primeiro vídeo e ele colocou logo a fasquia bué alta. E depois também foi o único que cumpriu o prazo dos dois vídeos. Mandou primeiro Long way down tocada na ginja com o solo fodido do Jonny… Nem estávamos à espera disso, mas ele percebeu qual era o lugar que iria ocupar sem ninguém lhe dizer.

João Paulo Saraiva: Ele parece que já está na banda há bué.

Pedro Isaac Ribeiro: Excelente pessoa, um excelente guitarrista é um gajo que já conhecia a banda o que é muito importante e conhecia já as músicas e tem aquele à vontade que é próprio da banda.

Apache Neto: Sobretudo o que nunca nos levou a desistir aos 3 era o sairmos e as pessoas perguntarem-nos pela banda e pelo álbum novo e depois a entrada do Saraiva… era impossível desistir. Eu próprio pensei em desistir quando o Jonny disse que ia abandonar. Sem desprimorar ninguém eu costumava brincar com o Jonny sobre ele ser o braço direito e eu ser o esquerdo de DMS por eu ser canhoto e ele destro. Só não desisti porque eles os dois não me deixaram. Eu via a motivação deles de querer continuar a fazer coisas. Acreditavam na minha maluqueira, só eu é que já não estava a acreditar. Depois quando o Saraiva entra foi aquele brilho nos olhos… fizemos um ensaio e fiquei “ wow, este gajo está a abafar o PA” … E agora este fim de semana para o vídeo toda a gente que veio de vários sítios e todos os que não puderam vir, amigos músicos porque estavam a tocar, mas que nos têm apoiado… é mágico, é uma cena brutal!

 

 

SR: E data para o vídeo sair cá para fora, já há?

Apache Neto: Nós estamos a pensar em lançar dois vídeos cá para fora antes do álbum. Um é este que estivemos a filmar agora e o segundo também já está na calha que é de um tema chamado Children of the Tides que é uma homenagem às bandas, mas não só a todos os que se desafiam a si próprios, um bocado dedicado à malta mais radical que desafia a sociedade. Quem ouvir a letra vai pensar que a letra é sobre o mar e sobre quem desafia o mar, mas na realidade é uma analogia. O primeiro vídeo deverá estar cá fora dentro de um mês, mês e meio. Falta misturar e masterizar o tema e depois é mandar cá para fora. Nós também estamos com essa fome e sentimos que devemos isto às pessoas.

 

 

SR: E concertos?

Apache Neto: Neste momento, concretas temos dia 09/06 Hell Of A Weekend 2018, da Hell- Xis, no RCA. Para além disso o que está projetado é fazermos tour quando sair o álbum de Norte a Sul do país. Como isto é underground e é real, se surgir oportunidades de tocar, com a fome de palco que estamos e como estamos praticamente prontos, se calhar até tocamos algumas vezes antes, só não tocamos o álbum todo. Vamos tocando as que forem saindo dos vídeos. Temos mais duas datas marcadas, mas ainda falta a informação oficial.

 

 

SR: Como se chama o álbum?

Apache Neto: Depois do EP, Basic Social Control vem agora o Diabolical World.

 

 

SR: Já há data prevista de saída?

Apache Neto: Datas ainda não há. O disco já está todo gravado, faltam apenas dois convidados, mas fizemos agora uma pausa porque estamos com o Hugo Andrade e a Ultrasound Studios Moita e como houve o Moita Metal Fest eles não conseguem fazer tudo ao mesmo tempo. Já tínhamos feito lá o EP e o Hugo também participou bué, trabalha connosco desde o inicio, conhece a banda, sugere cenas, há outras que amua e não nos deixa fazer, porque às vezes a pessoa está tão lunática na visão dela que é preciso alguém dizer: espera que essa aí já é mesmo passar para o outro lado. E ele conhece-nos muito bem e percebe do que está a fazer e isso transmite-nos confiança.

Rafael Santos: Ficou a faltar o Nuno Pardal desta vez.

Apache Neto:  É verdade, o Nuno Pardal dá sempre aquela mística à coisa. A seguir é misturar e masterizar que nós ainda não decidimos porque felizmente agora no MMF e o encontrar pessoal houve duas pessoas que se ofereçam para o fazer e nós vamos agarrar num tema, entregar a cada um e aquele gostarmos mais fica connosco para concluir. Isso vai interferir com a data. A outra questão é que DMS não tem editora, sempre foi “do it yourself”. Mas temos alguns apoios, do Hell Xis, da Mosher, SFTD… Nós acabamos por não ter editora, mas termos muita gente que nos apoia e o que vamos fazer desta vez que não fizemos da outra é quando o disco estiver masterizado enviar para vários sítios e ver se aparece alguém interessado e se a proposta nos interessar entrarmos em acordo. Se por acaso formos nós, até é capaz de vir a ser mais rápido. Mas a data está dependente deste processo. Estamos a tentar melhorar o nosso logo também e a tratar de novo merch. Queremos fazer studio report. No EP fiz eu e desta vez queremos ter mais cuidado e pedir a alguém para nos ajudar. O artista gráfico da capa irá ser o mesmo. Será o nosso “Diabolical man” na mesma, mas também evoluiu. Afinal já estamos a ficar velhos e vamos aprendendo algumas coisas pelo caminho. DMS fez 7 anos este mês, escolhemos o dia 01, mas não há um dia específico e por isso este ano comemoramos neste fim de semana em que estamos a fazer o vídeo.

 

 SR: O que poderemos esperar do álbum? Um upgrade de DMS?

João Paulo Saraiva: Acho que é mesmo pau no cú.

Apache Neto: Epá, eu acho que a critica vai dizer mal. Eu sinto que arrisquei. Eu dei tudo, eles deram tudo, demos tudo o que nos é possível fazer ao vivo. Ao vivo não podemos aldrabar algumas cenas e também não é do nosso espírito e da nossa cultura. O Saraiva quase que canta em alguns bocados, o Isaac faz solos que vai desde Santana a Megadeth… tem influências de todos os estilos. As guitarras fomos buscar de acústicas a 6 cordas… é bué 90’s. Queremos trazer esse espírito. São 9 músicas, ou seja, uma intro, 7 músicas DMS e o bónus. É 90’s com a frescura de DMS, o metal/thrash/chunga do bairro.

Pedro Isaac Ribeiro: Fomos buscar um bocado aquele espírito dos 90’s. Aquela essência.

Apache Neto: Não é só agressividade. Tem agressividade quando tem de ter porque é DMS, nós somos diabólicos.

Pedro Isaac Ribeiro: Mas também explorar os músicos que temos. O Rafa que é um baterista extraordinário que consegue tocar de tudo e também explorar a nossa vertente de músicos. E sim, para mim é um upgrade enorme.

Apache Neto: Eu oiço vários novos álbuns de varias bandas e de estilos diferentes e gosto um bocadinho de tudo e penso porque é que hei de fazer só naquela cena, naquela prateleira? Porque é que eu não posso misturar um bocadinho de tudo na minha música? Então o álbum tem isso e é disso que tenho um bocado de medo, que a malta oiça e diga que está um bocado salganhada, mas também acho que conseguimos misturar uma salganhada a soar a DMS. Mas a gente acredita que quem gosta de nós vai gostar. Quem gosta de nós gosta de música.

 

 SR: Mensagem que gostariam de transmitir ao público como banda?

Apache Neto: Eu criei aquela expressão “stay true, stay diabolical” que é muito importante para mim. Lealdade não é apenas uma palavra é um conceito muito forte. Tens que vive-lo, senti-lo, respira-lo. Diabolical Mental State é o estarmos revoltados com o mundo que não entende essa magia. A lealdade, a arte pela arte, a brotherwood, a amizade verdadeira. Gostarmos uns dos outros sem interesses. O que interessa no fim é perguntarmos uns aos outros: Estás feliz? E tu também? E tu?  E estarmos todos bem.

Pedro Isaac Ribeiro: A nossa mensagem é simples e complexa ao mesmo tempo. A simplicidade da nossa mensagem é desfruta a música, Nós nunca fomos pessoas de cobranças, nós gostamos das pessoas, as pessoas gostam de nós, estão connosco e não pedimos nada que não possam dar, DMS sempre foi uma banda verdadeira. Aquilo que tu vês é o que nós somos, seja com quem for. Há pessoas que gostam, há as que não gostam e nós respeitamos isso. E sentimos um respeito e um privilégio enorme das pessoas virem assistir e acompanharem-nos. E uma felicidade enorme de podermos estar em palco e fazer o que gostamos.

João Paulo Saraiva: A nossa mensagem é nua e crua, está à frente de toda a gente. Somos nós, é o nosso mundo é o álbum Diabolical World que é o mundo de todos nós um pouco. A nossa visão.

Rafael Santos: E queremos espalhar isso pelo maior número de pessoas possível. Ao vivo. E acho que vamos conseguir transmitir isso e muito mais e que essas pessoas consigam sentir e refletir isso. Quantas mais, melhor.